
Em quem vou votar para presidente
21 de maio de 2010 | Categorias: Geral, Lembreto
O Jesus Cristo ideal é o filósofo, não o Cristo.
A psicanálise verdadeiramente revolucionária de Freud é a do pensamento, não a terapêutica.
O budismo de Buda não é religião. Nem crença. Nem seita. É filosofia, e filosofia ateia.
Os homens se apropriam das grandes ideias e as deformam de acordo com seus interesses. Jesus, Freud e Buda estremeceriam ante o uso que se faz do cristianismo, da psicanálise e do budismo.
O centro ideológico da filosofia de Jesus foi expresso no Sermão da Montanha. É um manifesto genial e, depois de 21 séculos, ainda avançado. Num trecho essencial, Jesus diz que as pessoas julgam os outros com sua própria medida. E adverte:
– Com a medida que julgares, serás julgado.
Não se trata de maldição, nem de previsão mística: é conclusão lógica. Ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim. Você pode ver coisas boas ou más em cada pessoa, depende de você. Se dentro de você reside a maldade, você verá maldade em tudo que olhar. Você interpreta o mundo e as outras pessoas de acordo com seus próprios parâmetros.
Assim, numa cultura em que o dinheiro é o principal valor, como a brasileira, as pessoas sempre raciocinam a partir do seguinte questionamento:
“O que ele quer ganhar com isso?”
Os outros nunca fazem nada por acreditar no que estão dizendo. Os outros sempre têm interesses escusos. Interesses, evidentemente, monetários.
O candidato a qualquer cargo público, no Brasil, vive sob essa desconfiança permanente.
O brasileiro supõe, a priori, que o candidato faz promessas para se eleger, a fim de, eleito, se locupletar. É uma visão ao mesmo tempo maliciosa e pueril. Porque a maioria dos homens públicos é homem público por outras razões, que transitam à margem do acúmulo rasteiro do vil metal.
Às vezes o é pelo poder, às vezes pelo prestígio. E às vezes por achar que ele pode, de fato, fazer algo pelas outras pessoas. Ou seja: às vezes o candidato está bem-intencionado.
É o caso dos três principais candidatos à Presidência da República, Dilma, Serra e Marina. Tive a oportunidade de conhecê-los mais de perto ao entrevistá-los nas edições do Painel RBS. São pessoas honradas, que querem fazer o bem, cada qual com suas características.
Serra é um gerente paulista com a eficiência e a competência típicas de um gerente paulista, mas também com o cartesianismo arraigado de todo gerente paulista. Dilma é uma desenvolvimentista aparafusada na realidade brasileira, uma estudiosa que sabe o que quer, uma especialista em governo que tem o governo todo dentro da cabeça. Marina é uma pessoa sensível e corajosa, com uma ideia de mundo menos materialista e mais humana do que os outros dois, uma mulher que tem no olhar uma sombra de tristeza inerente da condição feminina e uma luz de sabedoria inerente da condição de mãe.
O Brasil estará razoavelmente bem servido com qualquer dos três candidatos que escolher.
Eu já escolhi o meu.
http://wp.clicrbs.com.br/davidcoimbra/2010/05/21/em-quem-vou-votar-para-presidente/?topo=13,1,1,,,13
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O artigo trata sobre as possíveis escolhas para governantes e como nós generalizamos todos os políticos. Alguns, mesmo que poucos, possuem boas intenções. Transmite algumas qualidades que cada candidato possui, nos mostrando aqueles que se destacam por serem conhecidos como exceção e excelência entre os outros governantes. São cultos, como Serra, que estudou no Chile e nos Estados Unidos; Dilma, que fez faculdade na UFRGS, uma das melhores e mais conceituadas universidades do país; e Marina, que nasceu em uma cidade do Nordeste com poucos recursos financeiros, humilde, sempre visando fazer a diferença.

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