terça-feira, junho 22

Urna dá trabalho, Priscila Mendes


Com a proximidade das eleições, cresce a contratação de profissionais para atuação nas campanhas. Eles comandam a trajetória dos candidatos rumo às urnas. Dispensam, porém, os papéis de coadjuvantes. Afinal, advogados, publicitários, jornalistas, consultores políticos, além da mão de obra mais operacional – panfleteiros, carregadores e o pessoal dos carros de som –, são imprescindíveis no desenvolvimento de uma campanha política.

A corrida eleitoral já começou e, ao que tudo indica, será acompanhada por inúmeras contratações nos próximos meses. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, deputados reduzem salários de funcionários comissionados para ampliar a equipe em seus Estados. A verba caiu de R$ 266.377 para R$ 165.595. O que significa que os R$ 100.782 restantes serão investidos no reforço de equipes. A menos de quatro meses do primeiro turno, marcado para 3 de outubro, a demanda não para de crescer.

– O mercado já está aquecido desde o ano anterior, quando se começa, com antecedência, um processo de planejamento de campanha. O mais importante é que há demanda agora e para depois das campanhas para os mais variados profissionais – diz Carlos Augusto Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (Abcop).

Esse é o caso dos marquetólogos – também chamados de marqueteiros –, que têm emprego garantido o ano inteiro, inclusive fora do Brasil.

– A versatilidade do profissional brasileiro é muito valorizada no Exterior. A cada eleição, temos mudanças na legislação, o que faz com que os marquetólogos tenham de se adaptar às técnicas a cada nova campanha – aponta o consultor político Carlos Manhanelli, que realiza campanhas em toda a América Latina.

Formação acadêmica tende a ser valorizada

Em agosto, quando entrar o horário eleitoral de rádio e TV, a missão desses profissionais estará à prova: convencer os cidadãos de que seus clientes merecem um voto. A carreira multidisciplinar abre espaço para jornalistas, publicitários e relações públicas, desde que tenham o mínimo de conhecimento das ciências que interferem em uma campanha, como comunicação, sociologia, estatística, ciência política e jornalismo.

– Há uma carência de profissionais habilitados para esse mercado, o que dá brecha para vários oportunistas. Sem a menor formação acadêmica ou experiência de mercado, eles acham que estão fazendo marketing político – diz Carlos Manhanelli.

Mas hoje só cai no conto do marqueteiro eleitoral quem quer.

– A maioria (dos candidatos) já se deu conta da necessidade de um profissional capacitado e completo. Ele, ao contrário do marqueteiro, que só domina sua área de atuação, terá bagagem para direcionar a comunicação da campanha e fazer uma leitura qualificada das pesquisas – explica Manhanelli, que conta com 238 campanhas realizadas ao longo de 36 anos de profissão.

Muito além de reformar o guarda-roupa do candidato, fazer uma boa maquiagem, aparar barba e discursos, os marquetólogos são responsáveis pela parte estratégica da campanha.

– Não dá para fazer política sem gostar, sem conhecer a realidade, a história e os costumes do público eleitor envolvido. Por mais bem planejadas, sem uma bagagem de conhecimento, as propostas de ação estarão condenadas ao fracasso, ao desperdício de recursos – destaca Alexandre Bandeira, presidente da Associação dos Consultores Políticos do DF, que é jornalista com pós-graduação em marketing e estratégia.



PRISCILA MENDES Correio Braziliense
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O texto trata sobre o mercado da política informando a quantidade de profissionais que estão envolvidos em uma campanha política, como profissionais do marketing, panfleteiros, jornalistas, advogados e publicitários, e todos são remunerados. O dinheiro, além de vir de empresários que cobrarão os favores posteriormente, vêm do povo, já que a maioria dos políticos roubam dinheiro do povo, como por exemplo o caso do "Mensalão" e do "Dinheiro na Cueca". Como forma de divulgação de suas intenções políticas, são contratadas pessoas de todas raças e credos para participar de propagandas e comícios. Profissionais com formação acadêmica são valorizados para ajudar na campanha política, que começa no segundo semestre de 2010. Os cargos políticos que serão eleitos este ano serão: Presidente, Governador, Senador, Deputado Estadual e Federal.

sábado, maio 29

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

A Assembléia Nacional Constituinte era formada pela união do Terceiro Estado, constituído pelo povo (camponeses, artesãos e a burguesia). Estes restringiam os poderes do rei, aboliam os privilégios do Primeiro Estado (Clero) e do Segundo Estado (Nobreza). Inspiradas nas ideias Iluministas do século XVII, a Assembléia aprovou e votou a favor da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, sintetizando em dezessete artigos as ideias de liberdade do Iluminismo. O lema dos revolucionários era baseada na frase de Jean-Jacques Rousseau, "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

Esses Direitos não são devidamente respeitados pois ainda há desigualdade social e os nossos representantes que deveriam defender tais direitos provavelmente sabem da existência da Declaração mas talvez não saibam o significado dos artigos pois não os respeitam.

Art. 15.º A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

Sim, temos o direito. Porém, não lutamos por ele, não damos valor a prestação de contas, não nos revoltamos contra as injustas à nos pregadas. Logo, se nós damos aos representantes o direito de fazer o que bem entenderem sem tem alguém que os julgue pelos seus erros, é de se esperar que a corrupção aumente se não há ninguém que os restrinja. É fácil reclamar, dizer ao mundo o quão insatisfeito estamos com o governo, que só existe corrupção, que nós estamos perdidos... Se foi criada a Declaração dos Direitos, por que não valorizamos ela? Por que continuar de cabeça baixa, aceitando tudo que nossos representantes fazem? Isso é ser cidadão? Ou é ser marionete?


sexta-feira, maio 28

Em quem vou votar para presidente?


Em quem vou votar para presidente
21 de maio de 2010 | Categorias: Geral, Lembreto

O Jesus Cristo ideal é o filósofo, não o Cristo.

A psicanálise verdadeiramente revolucionária de Freud é a do pensamento, não a terapêutica.

O budismo de Buda não é religião. Nem crença. Nem seita. É filosofia, e filosofia ateia.

Os homens se apropriam das grandes ideias e as deformam de acordo com seus interesses. Jesus, Freud e Buda estremeceriam ante o uso que se faz do cristianismo, da psicanálise e do budismo.

O centro ideológico da filosofia de Jesus foi expresso no Sermão da Montanha. É um manifesto genial e, depois de 21 séculos, ainda avançado. Num trecho essencial, Jesus diz que as pessoas julgam os outros com sua própria medida. E adverte:

– Com a medida que julgares, serás julgado.

Não se trata de maldição, nem de previsão mística: é conclusão lógica. Ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim. Você pode ver coisas boas ou más em cada pessoa, depende de você. Se dentro de você reside a maldade, você verá maldade em tudo que olhar. Você interpreta o mundo e as outras pessoas de acordo com seus próprios parâmetros.

Assim, numa cultura em que o dinheiro é o principal valor, como a brasileira, as pessoas sempre raciocinam a partir do seguinte questionamento:

“O que ele quer ganhar com isso?”

Os outros nunca fazem nada por acreditar no que estão dizendo. Os outros sempre têm interesses escusos. Interesses, evidentemente, monetários.

O candidato a qualquer cargo público, no Brasil, vive sob essa desconfiança permanente.

O brasileiro supõe, a priori, que o candidato faz promessas para se eleger, a fim de, eleito, se locupletar. É uma visão ao mesmo tempo maliciosa e pueril. Porque a maioria dos homens públicos é homem público por outras razões, que transitam à margem do acúmulo rasteiro do vil metal.

Às vezes o é pelo poder, às vezes pelo prestígio. E às vezes por achar que ele pode, de fato, fazer algo pelas outras pessoas. Ou seja: às vezes o candidato está bem-intencionado.

É o caso dos três principais candidatos à Presidência da República, Dilma, Serra e Marina. Tive a oportunidade de conhecê-los mais de perto ao entrevistá-los nas edições do Painel RBS. São pessoas honradas, que querem fazer o bem, cada qual com suas características.

Serra é um gerente paulista com a eficiência e a competência típicas de um gerente paulista, mas também com o cartesianismo arraigado de todo gerente paulista. Dilma é uma desenvolvimentista aparafusada na realidade brasileira, uma estudiosa que sabe o que quer, uma especialista em governo que tem o governo todo dentro da cabeça. Marina é uma pessoa sensível e corajosa, com uma ideia de mundo menos materialista e mais humana do que os outros dois, uma mulher que tem no olhar uma sombra de tristeza inerente da condição feminina e uma luz de sabedoria inerente da condição de mãe.

O Brasil estará razoavelmente bem servido com qualquer dos três candidatos que escolher.

Eu já escolhi o meu.

http://wp.clicrbs.com.br/davidcoimbra/2010/05/21/em-quem-vou-votar-para-presidente/?topo=13,1,1,,,13
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O artigo trata sobre as possíveis escolhas para governantes e como nós generalizamos todos os políticos. Alguns, mesmo que poucos, possuem boas intenções. Transmite algumas qualidades que cada candidato possui, nos mostrando aqueles que se destacam por serem conhecidos como exceção e excelência entre os outros governantes. São cultos, como Serra, que estudou no Chile e nos Estados Unidos; Dilma, que fez faculdade na UFRGS, uma das melhores e mais conceituadas universidades do país; e Marina, que nasceu em uma cidade do Nordeste com poucos recursos financeiros, humilde, sempre visando fazer a diferença.